I Love Bairro Alto

Mês

junho 2013

6 publicações

Agenda - LER DOM QUIXOTE @ Teatro São Luiz → ilovebairroalto.com

Ter, 25 Jun 2013 

Programar a leitura integral do Dom Quixote de la Mancha, é evidentemente, quixotesco. E, acredite-se, divertido. E diverso. Tanto que vamos desbravando caminho e temas, sem nos fixarmos numa direcção precisa – como por acaso, ele mesmo fez ao deixar o seu cavalo, Rocinante, livre de escolher o rumo das suas andanças. Além das surpresas que da leitura vêm, temos outras… Já que não só de ler se trata, mas também de falar, comentar, discutir, pôr em relação… 

É que, em definitivo, o mundo do Quixote não encerra em si o Mundo, ultrapassa-o.

Jun 17, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Blog - Inauguração da XYZ Bookshop → ilovebairroalto.com

Sex, 14 Jun 2013 

Inaugura hoje dia 14 de Junho a XYZ Bookshop, livraria especializada em Fotografia no coração de Lisboa. Será também lançado o terceiro número da Scopio Magazine com apresentações de Duarte Belo, Pedro Leão Neto e Tiago Casanova.

- - - - -
Será servido um Verde de Honra acompanhado de livros, conversa e boa disposição.


Jun 13, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - Fatima Al Qadiri | DJ Marfox @ Negócio / ZDB → ilovebairroalto.com

Ter, 11 Jun 2013 



Jun 3, 20131 note
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - LER DOM QUIXOTE @ Teatro São Luiz → ilovebairroalto.com

Ter, 11 Jun 2013 

Programar a leitura integral do Dom Quixote de la Mancha, é evidentemente, quixotesco. E, acredite-se, divertido. E diverso. Tanto que vamos desbravando caminho e temas, sem nos fixarmos numa direcção precisa – como por acaso, ele mesmo fez ao deixar o seu cavalo, Rocinante, livre de escolher o rumo das suas andanças. Além das surpresas que da leitura vêm, temos outras… Já que não só de ler se trata, mas também de falar, comentar, discutir, pôr em relação… 

É que, em definitivo, o mundo do Quixote não encerra em si o Mundo, ultrapassa-o.

Jun 3, 20131 note
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - Percursos. Barro Negro/Castanho/Ferro/Granito @ MUDE → ilovebairroalto.com

Qui, 11 Abr 2013 

Terça a Dom das 10h às 18h

Jun 1, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - David Lynch presents Chrysta Bella @ MusicBox → ilovebairroalto.com

Dom, 9 Jun 2013 

Dizem que é a nova musa de David Lynch. Verdade ou não, “This Train” foi escrito e produzido pelo realizador e é novamente motivo para a visita de Chrysta Bella Lisboa.


Jun 1, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal

maio 2013

55 publicações

Agenda - Uma Retrospectiva @ Negócio / ZDB → ilovebairroalto.com

Qua, 5 Jun 2013 

Unidas por uma necessidade de resistência contra o desencantamento fulminante, Mariana e Raquel assumem-se Wannabes™, dão o corpo ao manifesto, minam a cidade, lançam os foguetes e apanham as canas.



May 28, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - CLUBE DA PALAVRA AO VIVO @ Teatro São Luiz → ilovebairroalto.com

Sex, 31 Mai 2013 

São poetas, músicos, contadores de histórias, actores. E palavram ao vivo, com desenho digital feito no momento. E da poesia à prosa, das canções às histórias, a actualidade acaba sempre por subir ao palco atrelada às palavras. Na televisão o Clube da Palavra acontece todas as semanas no Canal Q. É o Clube da Palavra ao vivo, palavristas.


No Jardim de Inverno, 23h30



May 23, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - Eixo Crioulo: Sukuro @ Café TATI → ilovebairroalto.com

Qui, 30 Mai 2013 

Carolina Varela - voz
Guilherme Canas Pinto - guitarra
João Fragoso - contrabaixo
Javi Mojave - percussão
Guilherme Melo - bateria

May 22, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - Jazz no Tati @ Café TATI → ilovebairroalto.com

Qua, 29 Mai 2013 

Bruno santos (entrada livre)

May 21, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - LER DOM QUIXOTE @ Teatro São Luiz → ilovebairroalto.com

Ter, 28 Mai 2013 

Programar a leitura integral do Dom Quixote de la Mancha, é evidentemente, quixotesco. E, acredite-se, divertido. E diverso. Tanto que vamos desbravando caminho e temas, sem nos fixarmos numa direcção precisa – como por acaso, ele mesmo fez ao deixar o seu cavalo, Rocinante, livre de escolher o rumo das suas andanças. Além das surpresas que da leitura vêm, temos outras… Já que não só de ler se trata, mas também de falar, comentar, discutir, pôr em relação… 

É que, em definitivo, o mundo do Quixote não encerra em si o Mundo, ultrapassa-o.

May 20, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Blog - Paulo David Galerista por um dia → ilovebairroalto.com

Ter, 21 Mai 2013 

Por ocasião do décimo aniversário da Galeria das Salgadeiras, o Arquitecto Paulo David é “galerista por um dia” e apresenta a exposição colectiva «História Natural» que inaugura dia 25 de Maio às 19h na Galeria das Salgadeiras. A exposição é composta por dois
núcleos, tirando partido da especificidade do espaço físico da galeria. No piso térreo, será apresentada parte da história (natural) de dez anos da Galeria das Salgadeiras com obras de Cláudio Garrudo, Helena Gonçalves, Jaime Vasconcelos, Joanna Latka e Pauliana V.
Pimentel. Enquanto que no 1º andar será apresentado um “depósito cultural” que revele parte da história (natural) destes cinco artistas. Em ambos os contextos, pretende-se estabelecer um diálogo mais visual ou táctil com o visitante, contribuindo com outras camadas de leitura que uma obra de arte pode proporcionar.


May 20, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Blog - Novo livro de ManueL Norberto Corrêa → ilovebairroalto.com

Seg, 20 Mai 2013 

Esta quinta-feiras (23 Maio) às 18h na Sala dos Espelhos do Palácio Foz (Restauradores) a Uzinabooks lança o novo livro do arquitecto Manuel Norberto Corrêa.A apresentação contará com as presenças de Ana Menhert Pascoal, Graça P. Corrêa, Michel Toussaint, Nuno Marques e Germana Tânger.


May 20, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Cr�nica - Relatividade → ilovebairroalto.com

Dom, 19 Mai 2013 

Tanto quanto sabemos, a Terra formou-se há aproximadamente 4,6 mil milhões de anos (criacionistas, podem parar a leitura por aqui). Os primeiros vestígios de seres vivos surgiram há 3,5 mil milhões de anos, mas só com a explosão de vida do Câmbrico, com a invenção do sexo e tudo o que de maravilhoso isso trouxe, e que só por si já justificaria outra crónica, é que o  registo fóssil nos permite ter mais certezas sobre o evoluir dos acontecimentos. Sabemos que no final do Pérmico e no final do Cretácico, respectivamente há 250 e 65 Milhões de anos, duas extinções em massa, talvez resultado do colisão com um asteróide, reduziram drasticamente a quantidade de espécies no planeta. A última destas marcou o fim da era dos dinossauros e libertou espaço para a expansão dos mamíferos sobre os continentes e os mares. Mas foram precisos muitos mais milhares de anos até esses animais placentários cobertos de pêlos e que amamentam as crias evoluírem até chegarmos ao primeiro homem. Bom, chegando a esta espécie é preciso ter cuidado sobre o sentido a que damos à palavra ‘evoluir’… Basta estarmos atentos às notícias e ao comportamento dos que nos rodeiam para percebermos que o planeta, e os outros seres vivos discordariam de que a partir deste ponto tenha havido de facto uma ‘evolução’. Adiante: chegámos, para o bem e para o mal, ao Homo Sapiens Sapiens, a nossa espécie.
É difícil apreender esta escala de tempo absolutamente transcendente, da mesma forma como é abarcar os muitos biliões de euros necessários para o resgate dos bancos que foram deixados falir, quando se luta todos os meses para pagar a renda de casa. Ou entender a maravilhosa correspondência entre o tempo geológico e os lugares físicos em que estão representados. Quando falamos do Jurássico podemos estar a falar (além do filme de Spielberg) do famoso período em que os maiores animais terrestres de sempre caminhavam no planeta, ou de uma parede rochosa à nossa frente na Lourinhã, ou de outras formações rochosas de onde vieram os calcários que decoram Lisboa, incluindo o chão do bar. Ou seja podemos estar a falar de um espaço ou de um tempo.
Tendo estudado Geologia, seria de esperar que esta compreensão do fogacho que é a nossa breve presença na Terra me fizesse encarar com leveza a passagem do tempo. Afinal o que são 8 horas de trabalho no bar, quando sei que esperei 15 mil milhões de anos, desde o Big Bang, para nascer?
Infelizmente o tempo é relativo e é relativo à nossa escala e aos nossos humores. Toda a gente sabe que o tempo voa quando uma pessoa se diverte, mas o que dizer daqueles dias em que, devido ao clima invernoso, a ainda não ter chegado o dia de pagamento, ou a qualquer acaso inexplicável, o bar permanece desolada e penosamente vazio? Fuma-se um cigarro, bebe-se um shot, preparam-se as bases das caipirinhas, verifica-se o stock pela décima vez, trocam-se histórias, mas entre pessoas que se encontram quase todos os dias há poucas novidades para contar em tanto tempo. Um tempo que custa mesmo a passar. É talvez a componente mais difícil deste trabalho: saber lidar com a espera. Baudelaire achava que sabia o que era o ‘ennui’ mas se tivesse trabalhado num bar descobriria que ainda não sabia tudo sobre o assunto. As horas passam, lentamente, e começa-se a contagem decrescente para colocar este dia na coluna do ‘menos’ e ir para casa repousar.
Mas o que é que acontece frequentemente nesses dias? Quando já estamos mentalizados que a noite acabou? Mal sabemos nós que um sinal psíquico parece ser emitido e que simultâneamente, todas as pessoas na rua, qual agentes adormecidos, receberam a missão secreta de se dirigirem para o bar. E em poucos minutos, grupos de 5, 10 ou 20 clientes entram de rompante, pedindo dúzias de bebidas ao mesmo tempo. E como gente chama gente, qualquer pessoa que passe à porta sente uma vontade irresistível de entrar. 
E nós? Bom, o primeiro impulso é pensar “Agora é que aparecem?!? Agora não é preciso, vão se embora!!!” Mas rapidamente, a própria faculdade de pensar perde-se enquanto nos transformamos numa máquina de servir: copo, gelo, copo, garrafa, fatia de limão, copo, imperial, lima, açúcar  shaker, passa-me a garrafa de vodka, ainda há água com gás? copo, garrafa, não é esse copo, gelo, menos gelo, ir buscar gelo, não há copos, ir à mesa buscar copos, falta o pano, limpar as mesas, shots para todos…
E o tempo? Bom, o tal tempo do tédio já lá vai. Não existe tempo, simplesmente. Tempo para um cigarro, uma conversa, para pensar. Até que alguém fecha a porta da rua e apercebemo-nos que são horas de servir a última bebida e fechar a casa. Acabou. Acabou? Acabou! Parar. Um cigarro. Estou aqui outra vez.
E nessa altura, podemos, com o cansaço, baixar os olhos e vermos a tal laje de calcário e pensar nos milhões de anos que demorou a chegar ali… mas temos a certeza que aquela noite demorou ainda mais tempo a passar! 

May 20, 20131 note
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - Jam-session @ Café TATI → ilovebairroalto.com

Dom, 26 Mai 2013 

Jam-session com
Gonçalo Marques-trompete
Bruno Santos-guitarra
Filipe Melo-piano
Romeu Tristão-contrabaixo
João Pereira-bateria
(Entrada livre)

May 18, 20131 note
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Cr�nica - NO VERTIGO → ilovebairroalto.com

Sáb, 30 Jun 2012 

Há anos que estava para vir a este sítio.
 
O Vertigo é, antes de mais, local de repasto para o intelecto. Como se o QI aumentasse dez pontos só de subirmos o degrau de palmo e meio que antecede a porta. Cá dentro, todas as conversas são inteligentes, todos os assuntos são intelectualmente estimulantes. Como o vento na cara, quando levamos a janela aberta e fazemos uma curva repentina à esquerda.
 
Numa mesa atrás de mim, fala-se sobre os hábitos de amor e guerra na Antiga Grécia. Mas não só de ideias se alimenta este café de que os lisboetas não se cansam. As chávenas de chá são autênticos baldes de prazer fumegante. A compota de morango embeleza os scones que, pouco antes ainda no forno, provocam crepitares de doçura no mais céptico paladar.
 
Em frente, um pequeno regalo para a vista, mas a minha posição é tão descarada que não me atrevo a olhar…
 
A fome aperta-me as sinapses no cérebro. («Apetite, Raquel, fome é de três dias») Afinal, o meu amigo aguardava companhia.
 
– Esta cidade é uma desgraça para estacionar – entra uma loura deslavada de tom de voz pretensioso que bloqueia o meu campo de visão para aquele que há pouco não me atrevi a encarar.
 
– Sabe o que é que eu queria mesmo, mesmo, mesmo?
 
Pausa.
 
– Um chá… verde, de menta!
 
– De menta – repete a empregada de mesa.
 
– De menta? Óptimo.
 
Hoje, o meu amigo sentou-se novamente em frente de mim, mas desta vez mais perto. Hoje, fui eu a companhia. E pude olhar à vontade.
 
– Eu não fumo – largou a meio da conversa, de forma não muito subtil. O ar que quero respirar sorriu por dentro.
 
«Eu também não», pensei. Não foi preciso dizê-lo. Tenho a certeza de que já o sabia.

May 17, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - Capitan Laços de Amor & Nuno Lopez & La Flama Blanca. @ MusicBox → ilovebairroalto.com

Sáb, 25 Mai 2013 

A mensalidade Tropicante celebra o seu primeiro aniversário, numa sessão especial com os convidados Capitan Laços de Amor & Nuno Lopez, que se juntam a La Flama Blanca.
A viagem aos trópicos está agendada para o clubbing de 25 de Maio!


May 17, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Cr�nica - Das boas acções → ilovebairroalto.com

Qua, 13 Jun 2012 

Já vos contei a história da operação stop? Estava com o Rui, sabem quem é o Rui? O Rui de Geologia, foi meu colega, do Madureira, do Antunes e do Gonças, o Rui que nós chamamos o Barbas, apesar de ele não usar barba há montes de anos. Olhem, o Rui que andava sempre com o Leitão e que tem a casa em Tróia onde fazemos as churrascadas. Esse Rui. Nós, dantes, saíamos muitas vezes à noite, ou melhor, encontrávamo-nos à tarde e depois ficávamos a beber copos até o Rui apanhar o último barco para o Barreiro. Esse era sempre um momento de stress, como ele dizia “porque se um gajo perde o último barco tem que ficar por ali a fazer horas até ao primeiro barco, de madrugada”. E, se na altura, está toda a gente disposta a ficar e a beber mais um copo, o facto é que as horas vão passando, o corpo amolece, o cansaço instala-se e depois é tudo: “é pá, ó Rui, tenho que ir para casa…” e lá fica o pobre desgraçado a dormir sozinho nos bancos da Transtejo à espera de Godot, que bem podia haver um cacilheiro com esse nome.

Bom, para eu e o Rui estarmos a beber copos desde a tarde já podem imaginar o estado ébrio em que nos encontrávamos… e ainda por cima tive nessa noite a ideia de o levar comigo num giro pelo Bairro Alto. Eu já trabalhava como barman no Bairro, e em muitos sítios fomos recebidos com uma rodada de shots, oferta da casa. E para não parecer que íamos só para o cravanço, normalmente pedíamos depois uma cerveja para cada um. Por esta altura já precisávamos tanto de shots e de imperiais como de um tiro na cabeça, mas a embriaguez empurrou-nos para 4 ou 5 casas onde o ritual se repetiu, deixando-nos completamente alcoolizados. Bêbados. Bezanas. Com uma narsa descomunal, uma carraspana de proporções épicas, ou bíblicas, se quiserem, porque isso de transformar a água em vinho também tem que se lhe diga.

Então qual é a boa acção nesta história, perguntam vocês? Embriagar o amigo com shots? Calma, já lá vamos. Bom, foi assim mais para lá do que para cá que chegámos à hora fatídica, a hora do sinal de alarme que arrasta o meu amigo encosta abaixo até apanhar à angente a última galera. Com uma boa meia-hora de avanço, o Rui lá me foi avisando para deixar as conversas com os muitos conhecidos que ia encontrando, e que o vapores etílicos transformavam em velhos amigos com quem era urgente conversar. Mais um beijinho aqui e um abraço ali, e dou por mim pronto a descer do Bairro Alto com o meu companheiro de noitada, apenas para o encontrar de semblante triste e desapontado: “Vês, eu disse-te, eu pedi-te tanto para te despachares; agora perdi  o barco…”

Se há coisa que não falta a um homem alcoolizado é coragem e ideias, o que normalmente é a fórmula perfeita para o desastre. Consumido pelos remorsos pelo que o meu lado de animal social tinha causado ao Rui, e sabendo que não aguentaríamos aquele ritmo até de madrugada, foi aqui neste preciso momento que deu-me para fazer a tal boa acção: propus-me levar o meu amigo de carro ao Barreiro. O facto de estarmos bêbados que nem um cacho não seria impedimento para o compensar por ter perdido o barco. Não sei se já conduziram com uma taxa de álcool no sangue acima do permitido, mas na altura era muito frequente dar por mim com um copo a mais e mesmo assim arriscar-me a trazer o carro para casa. Era jovem, inconsequente, audaz. Parvo, pronto. Apesar disso nunca fui mandado parar para soprar no balão, o que dava-me uma mítica aura de invulnerabilidade entre os meus amigos. Dava.

A viagem estava a correr muito bem, apesar do número invulgar de polícias na estrada, que me deveria ter incutido algum juízo e feito abortar a missão, se a minha preocupação na altura não fosse parar numa roulotte para comprar… adivinhem… exacto, ainda mais cerveja.

Íamos assim, pela 24 de Julho, e depois virámos para a Av. de Ceuta, sabem, a avenida grande que vai dar à Praça de Espanha. Só que ali ao fundo, na parte em que se faz a inversão de marcha para entrar na ponte, só víamos luzes e holofotes e sirenes e bastões luminosos e ai Jesus, mãezinha, socorro, adeus. Estava ali a mãe de todas as operações stop, ali ao fundo e nós lenta mas inexoravelmente a rodar na sua direcção, sem apelo e sem saída.

“Sem saída”?!? Não! “Rui, não há uma cortada aqui à direita que vai dar ao Casal Ventoso? Podemos fintar estes gajos!!!!” O Rui nem respondeu, o estupor alcoólico somado ao choque do martírio que se adivinhava tinha transformado o seu semblante numa máscara de cera branca sem emoção. Animado pela minha ideia, mais uma na longa lista de boas ideias dessa noite, acelerei e deparei com a cortada de que me lembrava. De cada lado dessa rua estava um polícia com os seus bastões luminosos a indicarem a direcção em frente aos automobilistas que passavam. Mas eu não era como os outros. Não, a mim, não me apanhariam. À medida que me encostei à direita, e que a cortada se aproximava, os gestos dos polícias tornaram-se mais frenéticos e ouvia dizer “Em frente, em frente…” – “Em frente o caraças, a mim não me apanham”; acelerei ainda mais, guinei para a direita, passei entre eles rumo à cortada que subia para o Casal Ventoso, para a liberdade, para casa, e para celebrar ainda mais a minha agilidade, esperteza e impunidade, pus a cabeça de fora do vidro aberto, brindei a eles com a cerveja na mão e gritei bem alto: “So long, suckers!!!!!”

Epílogo:

Existe de facto uma cortada que sobe da avenida de Ceuta até ao Casal Ventoso, mas, como é óbvio, fica bem depois da operação stop. Aquela rua onde me meti era apenas um parque de estacionamento que terminava, 50 metros à frente, num acesso fechado com portões trancados a cadeado. E foi aí que preparei o meu melhor sorriso para receber os polícias que se aproximavam. Mas eles não vinham a sorrir.

O Rui também não estava a sorrir. Acabou por apanhar o primeiro barco, e ainda por cima porque ficámos na esquadra até de madrugada. Ofereceu-se para pagar metade da multa, é certo, mas desconfio que não foi a melhor noite da sua vida. E eu? E a minha boa acção? É verdade o que dizem: nenhuma boa acção fica sem castigo.

May 17, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Cr�nica - Uma noite na Casa do Pátio – parte IV (a manhã seguinte) → ilovebairroalto.com

Seg, 4 Jun 2012 

O sono estremunha-se numa manhã que se quer tardia, mas não muito, na promessa de um aconchego em forma de compota. No caminho para a Casa do Bairro, cheira ainda a madrugada. Quando lá chego, sou sozinha na sala do pequeno-almoço. O Daniel entra e sai na inquietação de quem procura deixar sempre tudo impecável. E o despertar de sabores inicia um ritual de delícias com os pés assentes na calçada de Lisboa. Da manteiga ao sumo de laranja natural, passando pelo bolo de pêra do Daniel e pelo bolo de maçã. Pãezinhos em cima da mesa. Os doces. Doce de maçã do Daniel. Outra qualidade de doce de maçã. Abóbora. Pêra e canela. E costuma haver tomate, o meu favorito, que pena que hoje não haja. Surpreendentemente, «hoje ninguém comeu nada», diz-me o Daniel. «Há dias em que tenho de ir a correr lá a baixo comprar mais pão.»

Também aqui, na Casa do Bairro, os quartos pedem uma visita. Desta vez, os nomes são de bairros da cidade: Baixa, Madragoa, Lapa, Chiado, Alfama, Belém… Apetece saltitar de um para outro, e dormir em Lisboa todas as noites.

Demoro-me na saída como uma criança em final de festa de aniversário. Falta um quarto para a uma e eu ainda no Pátio das Parreiras. Dormi numa água-furtada! Sorrio sozinha sentada à mesa da noite passada. Os pombos acumulam-se nos telhados, parece que um está preso na casa daquela senhora que há pouco estendia toalhas numa corda cheia de tapetes sujíssimos. Outros dois não abandonam o estendal, preocupados à espera da libertação do amigo.

Uma nuvem de estuque tapa o sol que parece deixar de brilhar por momentos. Um hóspede alemão faz agora a sua instalação e recebe os conselhos que eu também recebi, o tempo passa num instante e, mal bata a hora de almoço, tenho de regressar a casa.

 

 

May 17, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
Agenda - Anarchicks + The Lazy Faithful @ MusicBox → ilovebairroalto.com

Sex, 24 Mai 2013 

A última vez que as Anarchicks estiveram a rockar o Cais do Sodré foi em Janeiro. 
Regressam em Maio para mostrar novo single e respectivo video clip. 
A 24 de Maio, com a companhia dos The Lazy Faithful.


May 16, 2013
#bairro alto #lisboa #lisbon #portugal
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